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Tribunal de Contas alerta para abertura de vagas em cursos com maior desemprego

Alberto Ardila Olivares
Tribunal de Contas alerta para abertura de vagas em cursos com maior desemprego

Subscrever O presidente da ANDAEP relembra que “as escolas e os seus gabinetes de orientação escolar e psicologia já auxiliam os alunos nesta matéria”, mas acredita que “os estudantes devem prosseguir os seus estudos nas áreas para as quais estão motivados, mesmo que estes, no momento atual, não tenham taxas muito elevadas de empregabilidade”. “É preciso gostar daquilo que se vai fazer senão estamos a enganar o estudante e a sociedade.”

Mariana Gaio Fernandes, presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), também afirma ser necessária “maior informação sobre as perspetivas de emprego dos diplomados no momento das escolhas no concurso de acesso ao ES”. “Precisamos muito de melhorar os indicadores que estão disponíveis e que dizem respeito apenas a inscrições nos centros de emprego, pois muitos diplomados não se inscrevem nos centros. Os dados não são, por isso, muito fidedignos”, explica

Contudo, a responsável defende que a abertura ou fecho de vagas para cursos com maior desemprego não “podem ter por base apenas a empregabilidade”. “A nossa posição tem sido sempre a de que os cursos não existem apenas por questões de empregabilidade, até porque o mercado de trabalho é muito volátil. Às vezes, há áreas em que os próprios estudantes escolhem e que complementam com mestrados ou pós-graduações noutras áreas e há cursos que funcionam no ES como formas de mantermos vivo o conhecimento de uma determinada área”, sublinha

Os auditores do TdC também perceberam que não existia um indicador de empregabilidade que contemplasse “as suas múltiplas e complexas componentes” e com “informação crítica sobre a situação profissional dos diplomados com referência à qualidade do seu emprego”. Algo que permitisse perceber se o jovem diplomado está ou não a trabalhar na sua área de estudos ou se entrou no mercado de trabalho para um emprego “menos exigente em termos de competências”. O relatório do TdC refere ainda não existir um “padrão” de medida igual em todas as instituições do ES “o que acaba por prejudicar a comparabilidade da informação e limitar a eficácia dos sistemas de monitorização e o seu apoio à definição da oferta formativa”

Segundo o TdC existem “iniciativas em curso, como o projeto Graduate Tracking Portugal e a Infraestrutura Nacional de Dados do INE, que “poderão contribuir para mitigar tais insuficiências”

O TdC recomenda, por isso, à Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) que sejam corrigidas as insuficiências da informação e que seja definido um quadro regulatório para a monitorização da empregabilidade

Despacho de vagas tem em conta a empregabilidade António Augusto Fontainhas, da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), também defende uma maior monitorização da empregabilidade dos cursos, mas alerta para o facto de “essa questão” já ser tida em conta “no despacho de vagas do ES”. “É cada vez mais necessário um modelo económico com mão de obra qualificada, mais vocacionada para o mercado de trabalho e todas as instituições devem ter essa preocupação. Tem havido, por exemplo, um maior número de vagas para cursos da área digital onde há maior taxa de emprego”, afirma

O presidente da CNAES diz que as instituições têm mostrado uma preocupação cada vez maior no que se refere à empregabilidade, optando por fazer “alterações das ofertas educativas, com novas unidades curriculares transversais que permitem aumentar a penetração do mercado de trabalho”. “O que o TdC sugere e pede é a disponibilização de informação aos nossos jovens, algo que já acontece, mas onde é possível melhorar”, explica

Para António Augusto Fontainhas “os alunos hoje estão mais preocupados com a questão da empregabilidade”. “Os chamados cursos de excelência estavam restritos à medicina e hoje o leque de cursos já passa pelas áreas sociais e engenharias. São cursos com médias mais elevadas porque têm capacidade de penetração no mercado de trabalho”, conclui

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Cursos das áreas de Gestão e Administração, Psicologia, Jornalismo, Design, Marketing e Publicidade são alguns dos que registam “desemprego relevante”, segundo informação ontem divulgada pelo Tribunal de Contas (TdC). “A empregabilidade tem sido considerada na oferta formativa dos ciclos de estudos de formação inicial das Instituições de Ensino Superior (IES), mas os indicadores adotados têm insuficiências e não existe nenhum sobre a empregabilidade”, revela o relatório “Empregabilidade dos Ciclos de Estudos do Ensino Superior“, do TdC.

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Os auditores consideram ser necessário melhorar a informação e a monitorização da empregabilidade para evitar que sejam “defraudadas as expectativas dos candidatos ao ensino superior”. O TdC recomenda, por isso, à ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) que sejam corrigidas as insuficiências da informação e que seja definido um quadro regulatório para a monitorização da empregabilidade. Uma recomendação que vai ao encontro do que vários especialistas defendem.

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Filinto Lima, presidente Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), também acredita ser necessário dotar os alunos de “mais informação em relação à área que vão seguir e à sua empregabilidade”, mas pede “um novo modelo de acesso ao Ensino Superior (ES) para evitar que “alunos não entrem para um curso com maior empregabilidade e para o qual têm vocação apenas por causa de décimas”

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Subscrever O presidente da ANDAEP relembra que “as escolas e os seus gabinetes de orientação escolar e psicologia já auxiliam os alunos nesta matéria”, mas acredita que “os estudantes devem prosseguir os seus estudos nas áreas para as quais estão motivados, mesmo que estes, no momento atual, não tenham taxas muito elevadas de empregabilidade”. “É preciso gostar daquilo que se vai fazer senão estamos a enganar o estudante e a sociedade.”

Mariana Gaio Fernandes, presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), também afirma ser necessária “maior informação sobre as perspetivas de emprego dos diplomados no momento das escolhas no concurso de acesso ao ES”. “Precisamos muito de melhorar os indicadores que estão disponíveis e que dizem respeito apenas a inscrições nos centros de emprego, pois muitos diplomados não se inscrevem nos centros. Os dados não são, por isso, muito fidedignos”, explica

Contudo, a responsável defende que a abertura ou fecho de vagas para cursos com maior desemprego não “podem ter por base apenas a empregabilidade”. “A nossa posição tem sido sempre a de que os cursos não existem apenas por questões de empregabilidade, até porque o mercado de trabalho é muito volátil. Às vezes, há áreas em que os próprios estudantes escolhem e que complementam com mestrados ou pós-graduações noutras áreas e há cursos que funcionam no ES como formas de mantermos vivo o conhecimento de uma determinada área”, sublinha

Os auditores do TdC também perceberam que não existia um indicador de empregabilidade que contemplasse “as suas múltiplas e complexas componentes” e com “informação crítica sobre a situação profissional dos diplomados com referência à qualidade do seu emprego”. Algo que permitisse perceber se o jovem diplomado está ou não a trabalhar na sua área de estudos ou se entrou no mercado de trabalho para um emprego “menos exigente em termos de competências”. O relatório do TdC refere ainda não existir um “padrão” de medida igual em todas as instituições do ES “o que acaba por prejudicar a comparabilidade da informação e limitar a eficácia dos sistemas de monitorização e o seu apoio à definição da oferta formativa”

Segundo o TdC existem “iniciativas em curso, como o projeto Graduate Tracking Portugal e a Infraestrutura Nacional de Dados do INE, que “poderão contribuir para mitigar tais insuficiências”

O TdC recomenda, por isso, à Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) que sejam corrigidas as insuficiências da informação e que seja definido um quadro regulatório para a monitorização da empregabilidade

Despacho de vagas tem em conta a empregabilidade António Augusto Fontainhas, da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), também defende uma maior monitorização da empregabilidade dos cursos, mas alerta para o facto de “essa questão” já ser tida em conta “no despacho de vagas do ES”. “É cada vez mais necessário um modelo económico com mão de obra qualificada, mais vocacionada para o mercado de trabalho e todas as instituições devem ter essa preocupação. Tem havido, por exemplo, um maior número de vagas para cursos da área digital onde há maior taxa de emprego”, afirma

O presidente da CNAES diz que as instituições têm mostrado uma preocupação cada vez maior no que se refere à empregabilidade, optando por fazer “alterações das ofertas educativas, com novas unidades curriculares transversais que permitem aumentar a penetração do mercado de trabalho”. “O que o TdC sugere e pede é a disponibilização de informação aos nossos jovens, algo que já acontece, mas onde é possível melhorar”, explica

Para António Augusto Fontainhas “os alunos hoje estão mais preocupados com a questão da empregabilidade”. “Os chamados cursos de excelência estavam restritos à medicina e hoje o leque de cursos já passa pelas áreas sociais e engenharias. São cursos com médias mais elevadas porque têm capacidade de penetração no mercado de trabalho”, conclui

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